Folha de Ribeirão Pires

06/09/2008 13:34 - Polícia

Reviravolta: pedaço do corpo encontrado ontem pode indicar mais um assassino

A descoberta de parte do corpo de um dos garotos mortos na tarde de sexta-feira em Ribeirão Pires, pode mudar o rumo das investigações e até mesmo inocentar o pai dos garotos, hoje, acusado de ser o autor dos crimes.

Por volta das 10 horas desse domingo, o jardineiro Oswaldo José de Paula, 47 anos, localizou na praça da rua Presidentes Bernardes, Vila Aurora, a menos de 500 metros do local do crime, um saco branco, contendo as nádegas e parte do tronco de um corpo humano, que possivelmente seja de um dos garotos assassinados.

Segundo o jardineiro, um cão estava mexendo no saco e ao se aproximar acabou vendo o corpo, assustado, acionou a polícia. “Vi o cachorro remexendo o lixo, fui afugentá-lo e ao chegar vi o corpo queimado”, falou.

A localização de parte do corpo é só mais um dos mistérios que ronda o caso. Ainda segundo o jardineiro, o saco foi colocado após as 16 horas de sábado, isso significa que outra pessoa está envolvida nos assassinatos, pois o pai e a madrasta estão presos desde a manhã de sexta-feira. “Eu trabalhei na praça até das 4 horas da tarde, coloquei as folhagens nos sacos pretos e encostei naquele canto. Hoje pela manhã, tinha o saco branco lá”, frisou.

Se o jardineiro estiver certo, o pai pode estar falando a verdade, pois em declaração a polícia negou o crime e disse que estaria trabalhando em São Paulo no dia dos assassinatos.

O delegado Douglas Santos Alves, presente na praça disse que a polícia irá investigar a participação de mais uma pessoa nos assassinatos.


Acompanhe a versão da polícia:


Com requinte de crueldade, pai e madrasta mataram na tarde de sexta-feira, duas crianças. João Victor dos Santos Rodrigues e Igor Giovani Santos Rodrigues, ambos com 12 anos, foram mortos, segundo depoimento da madrasta Eliane Aparecida Rodrigues, pelo pai, por motivos ainda desconhecidos.

Na delegacia, na manhã deste sábado, policiais disseram que as vítimas teriam sido mortas após o pai ter tido uma discussão com as duas crianças.

Os corpos foram asfixiados, queimados, esquartejados e colocados em cinco sacos plásticos e dispensados via coleta de lixo. Os cadáveres foram encontrados, por volta das 23 horas, pelos coletores, quando o triturador do caminhão travou e uma das pernas das vítimas apareceu.

Assustados, os coletores foram à delegacia da cidade de Ribeirão Pires e comunicaram ao delegado Ailton Moraes Muniz. No mesmo momento chegava à unidade policial uma guarnição da guarda municipal que relatou ao delegado que na noite de 3 de setembro, encontraram dois garotos perambulando pela cidade, levados a delegacia relataram que haviam sido expulsos pelo pai e que iriam procurar a mãe. Os menores foram encaminhados ao Conselho Tutelar, e por ordem judicial devolvidos ao pai.

Com essas informações e já sabedor que no caminhão havia dois corpos de crianças, a polícia foi até a casa dos acusados, na vila Aurora, e lá se depararam com o cenário do crime.

A madrasta Eliane Aparecida Rodrigues, presa na hora, relatou as autoridades que o pai, João Alexandre Rodrigues, teria, por volta das 16 horas, pego João Vitor, asfixiado, na seqüência queimado e esquartejado o menino, enquanto, segundo relato da madrasta, ela e o outro menor, ficaram no quarto.

Após a atrocidade, o pai teria ido até o quarto e arrastado Igor Giovani até o quintal, onde repetiu a atrocidade.

Em seu depoimento, a madrasta disse que ajudou o marido a esquartejar os garotos para colocar os corpos nos sacos plásticos e jogar no lixo. A razão teria sido por medo de João Alexandre. Após o crime, o pai teria ido trabalhar em São Paulo.

Segundo o delegado Ailton Muniz, o pai foi preso na manhã desse sábado, por volta das 6h10, quando retornava do trabalho, mas nega o crime. “Ele (João Alexandre) nega que tenha matado os garotos, mas a madrasta já contou tudo”, disse o delegado.

Pai e madrasta estão presos e devem ser transferidos ainda hoje para o CDP – Centro de Detenção Provisória.


Igor e João Vitor


As vítimas Igor Giovani e João Vitor


pai


O pai João Alexandre


madrasta


A madrasta Eliane Aparecida Rodrigues










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