Folha de Ribeirão Pires

25/02/2010 22:13 - Reportagem Especial

Associação Sant’Anna renova esperança de crianças e jovens

“Calê, tio, calê tio, calê...qual o seu nome?”, a equipe de reportagem da Folha foi recebida com essa frase pela pequena Vitória, uma das crianças que vive na Associação Sant’Anna Crianças de Ribeirão Pires. Bastou iniciar um ensaio fotográfico e algumas filmagens para que a menina de dois anos e sua curiosidade fossem logo se aproximar do repórter e do fotógrafo. E acreditem, não há quem não se encante pela ‘sapequinha’.

Neste oitavo capítulo da série de reportagens especiais ‘Caminhos do Bem’ você vai conhecer a história desta entidade que atende crianças e jovens da cidade desde 2001 e que recentemente inaugurou um novo espaço para acolher rapazes, o abrigo Mocidade.

A Sant’Anna possui três núcleos. O primeiro é o abrigo Novo Rumo, espaço criado para atender crianças desabrigadas. O segundo é o Espaço Jovem, em que moças mantém suas atividades diárias, como os estudos. E o terceiro é a casa Mocidade que atende jovens do sexo masculino.

Se por um lado existe a negativa que assola milhares de famílias que são desmanchadas pela figura do abandono, outras garantem que a proximidade e o carinho podem ser aliados na luta por um recomeço.

Para uma das educadoras do espaço Novo Rumo, Daisy de Oliveira, o trabalho realizado pela entidade tem sido gratificante por saber que o saldo no final é sempre positivo para os abrigados.

“Na verdade as crianças acabam fazendo muito mais por nós do que nós por elas, porque é muito gratificante saber que daqui pra frente eles vão poder contar com uma nova família, terão carinho e conquistarão um futuro. É sempre um sentimento de reconstruir”, explica.

Na visão da assistente social e coordenadora da Associação, Celi Barreto, o principal problema enfrentado não apenas pelo abrigo, mas pelas demais casas de Ribeirão Pires é a crescente quantidade de crianças e jovens em processo de abandono.

“O número de crianças com direitos violados em Ribeirão Pires é muito grande. A nossa maior dificuldade hoje é conseguir atender toda a demanda. Muitas casas estão cheias e sempre há um rearranjo para garantir a integridade de todos que vivem nas Associações”, reflete.

Entidade em números
A Associação Sant’Anna conta atualmente com 22 funcionários celetistas, dentre eles uma assistente social, um prestador de serviço na área de psicologia, uma estagiária de serviço social e 14 voluntários. Sob seus cuidados estão 16 crianças na faixa etária de 0 a 12 anos, 11 adolescentes do sexo feminino e 3 do sexo masculino. O gasto mensal da entidade baseia-se em R$ 32 mil.

“Quero provar para a minha mãe que eu sou capaz, ela vai ver que estava errada”



Despertar de um sonho talvez não seja o melhor para Adriana Gasparini Mota, 16 anos, uma das adolescentes que vive no abrigo Espaço Jovem. Ela quer ser atriz de teatro e ainda com alguma timidez, mas muita coragem, conta sobre sua maior vontade: vencer na vida.

Assim que a equipe de reportagem da Folha entrou na sede do Espaço Jovem encontrou diversas garotas com histórias bem diferentes, mas sonhos tão parecidos que a repetição se tornava visível durante toda a entrevista. Curioso era olhar para Adriana, inquieta, por ora tímida, ora falante, a jovem contava sobre como são seus dias, cursar o segundo ano do Ensino Médio, falava de suas origens e de como é morar no abrigo há dois anos.

Dentre tantos casos de abandono, seja por condições financeiras ou por rejeição, a integridade dessas pessoas que vivem em casas de acolhimento parece sempre ficar escondida diante de medos e inseguranças.

Indagada sobre qual seria seu maior sonho, Adriana Mota tentou desviar os olhares e ‘fugir’ da resposta, mas sua força foi tão maior que a garota respondeu: “Meu maior sonho é poder mostrar para meus pais, mas principalmente para minha mãe que ela estava errada. Quero vencer para dizer a ela que eu sou capaz, ao contrário do que ela acredita. Enquanto minha irmã está lá com ela, fazendo faculdade, eu estou aqui”, desabafa a moça que apesar de demonstrar emoção, segura as lágrimas e impõe garra em seus gestos.

Uma fuga para não lembrar do que passou ou um sonho que vai se tornar real. O fato é que a jovem quer apenas que um dia as cortinas de um grande espetáculo se abram para ela enxergar o mundo com olhos de esperança.

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